
Multinacional alemã investe R$ 205 mi para instalar fábrica em Joinville
07/05/2026
Sediado em Porto Alegre, o Studio Ronaldo Rezende contabiliza mais de 800 projetos entregues em 50 anos de história, com atuação nacional. Parceiro e consultor do Grupo Plaenge – maior construtora do Sul do país, que opera em Santa Catarina há 15 anos –, o sócio-diretor do escritório, Raul Rezende, afirma, nesta entrevista, que um grande desafio da arquitetura residencial está na concepção de um novo empreendimento pelo menos quatro anos antes da entrega, idealizando algo que possa perdurar por décadas. “Acreditamos que uma estética atemporal, sem seguir modismos e tendências passageiras, é a mais adequada para o edifício se manter atualizado ao longo dos anos”, ressalta o profissional.
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Hoje, com o home-office, as pessoas estão mais “em casa”. De que maneira os novos projetos refletem essa tendência?
Após a pandemia, percebemos uma grande valorização da conexão entre interior e exterior. A busca por varandas, como também os balcões e as amplas esquadrias, são alguns exemplos de recursos que aproximam os moradores de edifícios residenciais com as áreas externas, permitindo estar ao ar livre e ampliando a ventilação e entrada de luz natural. A maior liberdade que temos hoje em formato híbrido de trabalho nos direcionou a pensar em soluções de plantas baixas mais flexíveis, possibilitando com naturalidade a implantação de gabinetes confortáveis nos lares.
Qual a fórmula para conciliar o aspecto técnico e o caráter humano da arquitetura, projetando lugares onde as pessoas vão viver?
Acredito que o poder da imaginação, somado a experiências pessoais, é um bom caminho para a realização da arquitetura. A imaginação faz com que o arquiteto se coloque na posição de quem vai usufruir o espaço, simulando a realidade dos usuários, sua rotina, sua família, seus hobbies, seu dia a dia. Acho esta a parte mais divertida da profissão. Faz com que consigamos nos imaginar em diferentes realidades. Mas acredito que a bagagem cultural é fundamental para calibrar essa visão abstrata. E, para aumentar cada vez mais essa bagagem, acredito ser fundamental o arquiteto vivenciar ao máximo experiências fora do seu círculo.
Como desenhar um projeto que possa espelhar o que se considera moderno atualmente, diante de tantas e tão expressivas mudanças no estilo de vida das famílias?
Um dos grandes desafios da arquitetura de edificações para o mercado imobiliário é pensarmos o projeto com, no mínimo, quatro anos de antecipação ao momento de sua entrega. E que perdurará durante décadas. Portanto acreditamos, em termos de linguagem, que uma linha estética atemporal, sem seguir modismos e tendências passageiras, é a mais adequada para o edifício se manter atualizado ao longo dos anos. Em relação à funcionalidade, nosso papel é criar sempre soluções que sejam extremamente flexíveis e adaptáveis, para o projeto se adaptar, ao longo dos anos, a novas realidades no estilo de vida de seus moradores.
Que outras tendências você observa em projetos residenciais?
Acredito que o tema wellness vai ganhar cada vez mais força. A busca por bem-estar em casa, sendo casa o edifício como um todo. Isso se reflete diretamente na qualidade dos espaços, nas amenities (comodidades) e em uma linguagem cada vez mais biofílica.
Quais os principais aspectos que distinguem um projeto de alto padrão, e como trabalhar essas mesmas referências em projetos de outros segmentos?
Uma vez ouvi uma definição de luxo que fez muito sentido para mim: luxo é ter tempo, silêncio e espaço. Sempre imagino essa combinação quando projeto para o luxo. Mas, de forma mais concreta, o luxo começa com a localização do projeto e termina com uma arquitetura silenciosa, com materiais nobres e espaços com proporções bem equilibradas. Que façam com que o morador viva de forma contemplativa, com muito conforto visual e físico. A adaptação desse conceito é proporcional ao posicionamento de cada empreendimento.
