Peça teatral reflete sobre racismo capilar e autoestima

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O que acontece quando uma menina começa a acreditar que precisa esconder uma parte de si para ser aceita? É a partir dessa pergunta que o espetáculo de contação de histórias “Kizzy, no fio da história” chega aos palcos de Joinville a partir desta sexta-feira (30/10), propondo uma reflexão sensível e bem-humorada sobre racismo, identidade, ancestralidade e autoestima.

A estreia será na Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi), e a temporada segue com mais duas apresentações abertas ao público em novembro, além de uma sessão fechada a usuários dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da Secretaria de Assistência Social de Joinville.

Inspirado no livro “Kizzy, que cabelo é esse, hein!”, de Jura Arruda e Mônica Silva, o espetáculo acompanha uma menina pré-adolescente de cabelos crespos e volumosos que, ao longo de seu crescimento, passa a enfrentar comentários preconceituosos e pressões para adequar sua aparência a padrões de beleza socialmente impostos. Quando uma professora determina que Kizzy mantenha os cabelos presos, o episódio ganha contornos de um julgamento, no qual o público é convidado a refletir sobre quem define o que é bonito, aceitável ou adequado.

Com as atrizes Mônica Silva e Fernanda Arruda em cena e direção de Robson Benta, a montagem transforma essa situação cotidiana em uma história que ultrapassa a experiência individual da protagonista. Entre conflitos, reflexões e situações cômicas, a narrativa evidencia como o racismo capilar pode afetar a maneira como crianças e adolescentes enxergam a si mesmos, comprometendo a confiança, o sentimento de pertencimento e a relação com as próprias origens.

“A história da Kizzy nasceu para mim como um espetáculo teatral, porque me parecia a forma mais acessível de esta mensagem chegar nos jovens. Ela acabou chegando ao mundo primeiro em forma de livro, que foi lançado exatamente um ano antes da estreia da peça, e já trilhou um caminho lindo nos últimos 12 meses. Os leitores se identificam e se emocionam, mesmo aqueles que não sofrem preconceito racial nem têm cabelos crespos, porque o conflito que a protagonista vive tem muito a ver também com a nossa sociedade e as imposições estéticas inalcançáveis que são impostas, principalmente, para as mulheres”, analisa Mônica, que estreia como atriz.

Após as apresentações, uma roda de conversa ampliará o diálogo com os espectadores, criando espaço para a escuta, a troca de experiências e a reflexão coletiva. Este momento contará com a presença da psicóloga Keila Cristina Rodrigues. Todas as sessões contarão com intérprete de Libras. A proposta cultural para a montagem do espetáculo foi selecionada no Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025 e é realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

Agenda de apresentações:

30 de outubro, às 20h — Estreia
Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi)
Rua dos Esportistas, 510 – Itinga

7 de novembro, às 17h30
Associação de Moradores do Parque Guarani (AMPAG)
Rua Mato Grosso do Sul, 151 – Parque Guarani

12 de novembro, às 19h30
CEU Aventureiro – Cineteatro
Rua Theonesto Westrup, 627 – Aventureiro

13 de novembro, às 9h
Kênia Clube
*Sessão exclusiva para evento do CRAS/Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Joinville

Ingressos: gratuitos, com distribuição antecipada pela plataforma Sympla.
Amorabi: sympla.com.br/evento/kizzy-no-fio-da-historia-estreia-na-amorabi/3624370

1 Comment

  1. Edmar Francisco disse:

    A questão da aceitação de si mesmo, independente das exigências do mundo exterior, que foi construído a partir de exteriotipos estéticos no decorrer do devir histórico determinado pelo racismo.
    Um tema que necessita ser discutido e que em Kizze e retratado de forma lúdica e didática.

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