Festival Sakura reúne mais de 20 mil pessoas, com cosplay, k-pop e culinária tradicional

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Evento com nome de flor asiática ganha foco na Cidade das Flores

Luiz Gustavo dos Anjos, especial para Francisca

Às icônicas flores rosadas que brotam das cerejeiras atribui-se o termo japonês “sakura”, nome que inspirou o evento que reuniu mais de 20 mil pessoas na Cidade das Flores ao longo de três dias, em sua segunda edição — o Sakura Joinville. Na festa, encerrada no domingo, 14, a tradição e cultura asiática foram celebradas por shows de dança e música, comidas típicas, exposições de arte, oficinas e outras atividades imersivas para crianças e adultos.

De acordo com o comitê organizador, o objetivo do evento é, além de promover a cultura e tradição japonesa, arrecadar recursos para a construção de um parque oriental na cidade. “Foi um sucesso. Atendeu a todas as nossas expectativas”, compartilha o produtor Fábio Martins, presidente da Associação Matusa Bujutsu, idealizadora do encontro. “Superamos o público da edição anterior.” Ele destaca ainda os concursos de cosplay — prática de se fantasiar e interpretar um personagem fictício — e de k-pop, um gênero musical popular entre os jovens e com origem na Coreia do Sul.

Shige Junior, apresentador e organizador das competições de cosplay e k-pop, ressalta que, geralmente, esses concursos ocorrem durante um dia inteiro, reunindo de 35 a 40 participantes. No caso do Sakura, ambos se desdobraram em dois dias, com média diária de 30 competidores. Nesse contexto, Shige ressalta o nível de adesão da comunidade joinvilense à cultura japonesa e pop em geral. “Eventos como esse são importantes principalmente para a comunidade jovem, que antes era nichada da cultura nerd e geek, oferecendo um espaço para chamar de seu”, complementa o organizador.

Surgido em 2023, o trio Lovesick foi premiado pela melhor apresentação na competição de k-pop. “Já participamos de diversos eventos em diferentes cidades e sentimos falta de eventos como esse em Joinville. A cidade tem potencial para a divulgação de diversas culturas, mas percebemos que isso não é muito aproveitado”, comentam os integrantes do grupo. Além do vencedor, o público escolheu uma banda favorita: o coletivo chamado Cherish, iniciado em 2020.

Os desafios do grupo k-cover envolvem ensaios, locomoção para competir em outras cidades, aquisição de figurinos e, por vezes, a compra de ingressos para os eventos em que se apresentam. “Receber em nossa própria cidade um evento gratuito é muito importante para que, não só mais pessoas se sintam incentivadas a subir no palco, como também quem não conhece nada desse universo seja instigado a conhecer”, complementam. “Sem contar que Joinville precisa de uma balançada, né?”

Fila para selfies
Nos corredores da Expoville, as pessoas faziam filas para fotografar
cosplayers fantasiados de Homem de Ferro, Homem-Aranha, Pennywise e várias outras figuras. Julia Moser — ou Jushine, como se identifica nas redes —, 20 anos, é de Joinville e venceu o concurso de cosplay no sábado, com a fantasia “Diana, caçadora de dragões”, inspirada no jogo RPG online League of Legends (LOL). Ela conta que começou a fazer cosplay por causa da paixão pelo universo geek, pelas artes e pelas fantasias. Ver pessoas praticando cosplay na internet e em sua cidade despertou seu interesse por esse universo artístico. “Um evento de cultura japonesa em Joinville me fez criar coragem para fazer meu primeiro cosplay. Desde então não parei mais”, explica a jovem.

Já o vencedor de domingo foi Marcelo Fernandes Lima, de 32 anos, morador de Florianópolis, com a caracterização “Glavenus”, personagem do jogo Monster Hunter World. As fantasias que costuma usar em eventos são produzidas por ele mesmo, usando o EVA como material principal, que confere maior durabilidade aos itens, e impressões 3D quando necessário. Para fazer a armadura vencedora, ele diz que gastou cerca de dois meses e meio — dormindo “três horas por dia” e trabalhando em um “ritmo insano”. “Ganhar um concurso como esse é especial porque eu sinto que meu trabalho tem sido reconhecido”, diz o cosplayer. “Além disso, o prêmio ajuda a pagar os custos desse hobby. Cosplay custa caro. Uma armadura como a minha sai em torno de R$ 1 mil reais para confeccionar.”

Produtos nos estandes
Entre os estandes, diversos artigos coloriam o centro de exposição, chamando a atenção de possíveis compradores: pelúcias e
action figures de personagens dos animes (animações japonesas), mangás (histórias em quadrinhos), chaveiros, comidas coreanas e japonesas e outros itens. Na gastronomia, boa parte dos restaurantes presentes veio do bairro paulistano da Liberdade, referência em culinária oriental no país. No comércio, muitos também de fora do Estado.

Com o crescimento do público e da programação, o organizador Fábio Martins se declara satisfeito com o resultado do festival deste ano e já pensa na próxima edição. Aos poucos, outra flor ganha seu próprio espaço na Cidade das Flores.

Foto: Robson Khalaf

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