Conferência dos Direitos Humanos fortalece políticas públicas

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Texto: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

A 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos (ConDH), realizada em Brasília, concluiu seus trabalhos com a aprovação de 18 propostas prioritárias para aprimorar o Sistema Nacional de Direitos Humanos no Brasil. As deliberações foram sintetizadas em um documento que servirá de base para futuras políticas públicas e que enfatiza a necessidade de considerar as interseccionalidades na formulação das propostas, reconhecendo sua determinação para diferentes riscos de vulnerabilidade e violação de direitos.

Representando mulheres trans e travestis de Santa Catarina, Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva, de Araquari, ressaltou que a conferência contribui diretamente para o fortalecimento das políticas públicas nos estados e municípios. “Santa Catarina tem indicadores elevados de violência contra mulheres, e estar aqui é fundamental para fortalecer a construção do Sistema Nacional de Direitos Humanos e orientar políticas públicas que considerem as especificidades dos territórios”, afirmou.

Integrante dos debates sobre direitos sociais e educação, Scarlett também chamou atenção para a invisibilização de pautas como a das trabalhadoras sexuais. “Quando a gente traz esse tema, ampliamos o olhar humanizado para questões como violência, tráfico de pessoas e exploração, que muitas vezes são silenciadas”, destacou.

Fruto de um trabalho coletivo, ao todo, foram apresentadas 55 moções, que podiam ser de caráter de caráter nacional ou internacional, e deveriam abordar o tema central ou os Eixos da 13ª ConDH. Também deveriam conter informações como âmbito, tipo (apelo, apoio ou repúdio), instituição ou pessoa destinatária, título, texto e ementa.

Vozes plurais

Durante a plenária final, delegadas e delegados de diferentes regiões do país destacaram a importância do espaço como um momento de escuta qualificada, construção coletiva e fortalecimento de propostas voltadas ao enfrentamento das violações de direitos. As contribuições apresentadas nos grupos de trabalho refletiram demandas históricas dos territórios e a diversidade de sujeitos que constroem a política nacional de direitos humanos.

Delegado do Maranhão e participante do grupo de trabalho voltado ao enfrentamento das violações contra grupos vulnerabilizados, Leonardo Brandão Costa ressaltou que uma das principais deliberações foi a defesa da laicidade do Estado como condição para a proteção de direitos. “Ela é fundamental para inibir violências contra grupos vulneráveis, como as religiões de matriz africana e a população LGBTQIA+. Um Estado verdadeiramente laico garante que essas populações não sejam alvo de discriminação institucional”, afirmou.

No grupo de trabalho que debateu a estruturação do Sistema Nacional de Direitos Humanos, o delegado pela Bahia, Matheus Martins, enfatizou a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção a defensores e defensoras de direitos humanos. “Discutimos um sistema que seja capaz de proteger ativistas e todas as pessoas que atuam na defesa das garantias de direitos”, explicou.

Como pessoa com deficiência, ele também destacou a centralidade da acessibilidade e do combate ao capacitismo. “Falamos de inclusão para construir um Brasil para todos os brasileiros, onde as pessoas com deficiência estejam efetivamente incluídas”, completou.

Valorização feminina

A delegada por Minas Gerais, Jade Muniz, representante do coletivo Clã das Lobas e de coletivos feministas, reforçou a defesa da dignidade humana das trabalhadoras sexuais. “Quando uma mulher cobra por sexo, ela deixa de ser mulher? Deixa de ter direitos humanos?”, questionou. Segundo ela, a conferência representa um espaço de visibilidade e disputa política. “Somos mães, avós, filhas, somos pessoas. A prostituição não é crime no Brasil, mas o entorno é criminalizado para nos manter à margem. Estar na Conferência Nacional de Direitos Humanos é ocupar um espaço que historicamente nos foi negado”, afirmou.

Hana Lopes Pereira, delegada de Rondônia e representante do coletivo Sankofa, que atua com questões de gênero, raça e infância, avaliou a 13ª ConDH como um momento fundamental para a retomada de políticas públicas. Segundo ela, após um período de dez anos sem a conferência, houve um “vazio de políticas públicas” para os mais vulneráveis, tornando a retomada “única e necessária”.

Já Luz Morena, delegada pelo estado de São Paulo, apresentou a “Moção de garantias de direitos pela maternidade digna e contra o afastamento compulsório de mães e filhos”, construída com um movimento coletivo de mães buscando a garantia de direitos para que o afastamento forçado de mãe e filho seja reconhecido como violência e violação de direitos humanos, e que luta pela revogação da lei da alienação parental. “Mães estão perdendo a guarda dos filhos por diversos motivos, muitos deles rasos, arbitrários e preconceituosos”, afirmou.

A 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos contou com a participação de delegados oriundos de 26 conferências estaduais, 1 distrital, 80 etapas livres e 1 etapa digital, totalizando mais de 100 instâncias preparatórias em todo o país. Esses números reforçam a ampla representatividade do evento, que reuniu 888 delegados credenciados com direito a voto.

Com o tema central “Por um Sistema Nacional de Direitos Humanos: consolidar a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de direitos para todas as pessoas”, a ConDH se constitui como um espaço estratégico para a escuta ativa das demandas históricas e emergentes da população brasileira, sobretudo dos grupos em situação de vulnerabilidade, povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, população negra, pessoas com deficiência, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e população privada de liberdade. A construção coletiva de diretrizes a partir da escuta desses sujeitos é condição essencial para um sistema de direitos verdadeiramente democrático, inclusivo e efetivo.

1 Comments

  1. Entrevista de Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva destaca a valorização feminina e a representatividade de mulheres trans e travestis na 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos

    A participação de mulheres transexuais e travestis nos espaços institucionais de decisão é um marco fundamental para o fortalecimento da democracia e das políticas públicas de direitos humanos no Brasil. Nesse contexto, a delegada Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva, representante de Santa Catarina, concedeu entrevista oficial durante a 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, cuja publicação ocorreu no site oficial do Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

    A entrevista foi publicada em 12 de dezembro de 2025, às 21h23, com atualização às 21h38, conforme informações oficiais disponibilizadas na página institucional do governo, integrando a matéria intitulada:

    “13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos aprova propostas prioritárias para fortalecer o Sistema Nacional de Direitos Humanos”.

    Tema da entrevista: Valorização Feminina

    Na entrevista, que compõe a cobertura oficial da conferência, Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva abordou o tema da valorização feminina, enfatizando a relevância da presença de mulheres trans e travestis na formulação, acompanhamento e fortalecimento das políticas públicas de direitos humanos, a partir de uma perspectiva interseccional e territorializada.

    Representando mulheres transexuais e travestis do estado de Santa Catarina, a delegada destacou que a conferência contribui diretamente para o fortalecimento das políticas públicas nos estados e municípios, especialmente em contextos marcados por elevados índices de violência de gênero.

    > “Santa Catarina tem indicadores elevados de violência contra mulheres, e estar aqui é fundamental para fortalecer a construção do Sistema Nacional de Direitos Humanos e orientar políticas públicas que considerem as especificidades dos territórios”, afirmou.

    Defesa de um olhar humanizado e interseccional

    Integrante dos debates sobre direitos sociais e educação, Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva também chamou atenção para a invisibilização de pautas historicamente marginalizadas, como a das trabalhadoras sexuais, reforçando a necessidade de um olhar humanizado, ético e comprometido com a garantia de direitos.

    > “Quando a gente traz esse tema, ampliamos o olhar humanizado para questões como violência, tráfico de pessoas e exploração, que muitas vezes são silenciadas”, destacou.

    Registro institucional e acesso público

    A entrevista integra o conteúdo oficial da 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, evento que aprovou 18 propostas prioritárias, reunindo cerca de 900 delegadas e delegados de todas as regiões do país, com o objetivo de fortalecer políticas inclusivas e consolidar o Sistema Nacional de Direitos Humanos.

    O registro da fala de Scarlett Gonçalves de Oliveira da Silva, enquanto mulher trans, ativista e delegada, encontra-se disponível no site oficial do Governo Federal, garantindo transparência institucional, reconhecimento político e acesso público à sua contribuição nos debates nacionais:

    🔗 Link oficial da publicação:
    https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/13a-conferencia-nacional-dos-direitos-humanos-aprova-propostas-prioritarias-para-fortalecer-o-sistema-nacional-de-direitos-humanos