Exposição transforma bordados em viagem pela memória de Joinville

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A partir deste sábado, 7 de novembro, o pavilhão térreo do Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, será transformado em uma casa imaginária de estilo colonial. Móveis e objetos reais serão combinados com desenhos aplicados às paredes e inspirados no universo gráfico do artista joinvilense. A proposta é ambientar a exposição Linhas de Histórias – Bordados que guardam memórias, que apresenta ao público um patrimônio têxtil e cultural: a tradição do bordado.

A mostra é resultado de nove meses de investigação para resgatar e preservar a história dessa prática e das mulheres bordadeiras na região de Joinville. O estudo reuniu documentos históricos, manuais e entrevistas e destacou cinco bordados representativos da tradição local. A pesquisa foi coordenada por Ana Gern e realizada por Dietlinde Clara Rothert, Maria Cristina Dias e Terezinha Hoegen.

Introduzido na região por imigrantes europeus, o bordado se consolidou ao longo do século 19 e no início do século 20. Além de ornamentar peças do cotidiano das casas, a prática foi, ao longo do tempo, importante forma de expressão, de geração de renda e autonomia para muitas mulheres e de socialização. A pesquisa resgatou, por exemplo, o papel dos Kränzchen – tradicionais encontros em que grupos de mulheres se reuniam para bordar, conversar, tomar café e fortalecer os laços da colônia – e mapeou alguns grupos de bordadeiras ainda ativos na cidade.

“A exposição é o momento em que a pesquisa deixa de ser um arquivo e volta para a comunidade. Muita gente vai reconhecer nas peças um bordado que viu na casa da avó, um risco que aprendeu a copiar. É esse encontro que dá sentido ao projeto: devolver o que ouvimos das bordadeiras para elas e para as novas gerações, de forma gratuita e acessível”, afirma Ana Gern, pesquisadora e coordenadora do projeto.

A abertura da exposição no dia 7, às 10h, com intérprete de Libras, e segue até 26 de janeiro, sempre de terça a sábado, das 9h às 18h, com entrada gratuita e recurso de audiodescrição por QRCode nas placas descritivas. O projeto é realizado por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC), do Governo do Estado de Santa Catarina, aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura, com apoio do Instituto Juarez Machado, do Arquivo Histórico de Joinville e do Museu Nacional de Imigração e Colonização, e incentivo do Grupo Tigre, por meio do Instituto Carlos Roberto Hansen.

Cinco bordados, muitas histórias

A exposição reúne cerca de 50 peças distribuídas entre os ambientes de uma casa: quarto, sala, cozinha e ateliê, desenhados e criados pelo escritório Otropicalista, de Florianópolis. Em cada espaço, o público poderá conhecer diferentes técnicas de bordado, seus usos e suas particularidades.

No quarto, um dos destaques é o bordado Ilha da Madeira, de origem portuguesa. Feito com ponto cheio, o trabalho era utilizado na ornamentação de enxovais finos, entre outras peças. Contrasta com ele o bordado em meio ponto, que utiliza pontos minúsculos para criar efeitos semelhantes aos de uma pintura. Na exposição, essa característica poderá ser observada em um leque da década de 1950, cujo suporte foi produzido em Joinville pela antiga companhia Hansen, atual Grupo Tigre. A peça faz parte do acervo de Maria Eugênia Jensen e foi bordado por sua avó, Eugênia Kumlehn.

O bordado em ponto cheio, normalmente confeccionado em toalhas, também está presente em diferentes ambientes da mostra, assim como o ponto cruz duplo, que utiliza os pequenos quadrados de tecido xadrez para compor motivos geométricos e figurativos em diferentes peças. Na cozinha, um dos destaques é um Wandschoner centenário, pano de parede bordado tradicionalmente utilizado para proteger a superfície de respingos e, ao mesmo tempo, ornamentar o ambiente.

Catálogo digital e vídeos explicativos 

A abertura da exposição também marcará o lançamento de um catálogo digital e de uma série de dez vídeos curtos sobre os bordados pesquisados. O catálogo contextualiza e registra a arte do bordado na região de Joinville, destacando as características e a técnica dos trabalhos selecionados e um pouco da história das bordadeiras que preservaram estes saberes. Já os vídeos trazem as próprias bordadeiras ensinando o modo de fazer.

“Esses materiais buscam valorizar e dar visibilidade a uma prática artesanal que permanece viva e se reinventa no presente sem perder os vínculos com as memórias e tradições que lhe deram origem”, afirma Ana Gern.

Os dois materiais serão disponibilizados gratuitamente no instagram do projeto @linhasdehistórias, ampliando as possibilidades de acesso ao conteúdo para além da visita presencial. O catálogo ainda contará com recursos de leitura acessível.

Serviço

Exposição Linhas de Histórias – Bordados que guardam memórias
Abertura: 7 de novembro (sábado), das 10h às 12h.
Visitação: 7 de novembro de 2026 a 26 de janeiro de 2027 – terça a sábado, das 9h às 18h.
Local: Instituto Juarez Machado – Rua Lages, 994, bairro América, Joinville/SC.
Entrada gratuita
Instagram: @linhasdehistorias

Ficha técnica

Coordenação: Ana Gern.
Pesquisa histórica: Ana Gern, Dietlinde Clara Rothert, Maria Cristina Dias e Terezinha Hoegen
Textos do catálogo: Dietlinde Clara Rothert, Maria Cristina Dias e Terezinha Hoegen
Redação final do catálogo: Maria Cristina Dias
Revisão do catálogo: Albertina Camilo
Curadoria e consultoria técnica: Michele Laforga e Leni Maria Zimmermann, respectivamente
Roteiro e narração dos vídeos: Maria Cristina Dias
Fotografia e videomaker: Gabriel Bazt
Projeto gráfico e editoração: Tina Merz
Narração dos textos da exposição em audiodescrição: Jociane Nascimento
Consultoria em audiodescrição: Paulo Suldovski
Interpretação em Libras: Nubia Amorim
Curadoria e concepção expográfica: Otropicalista
Montagem e iluminação: Billy Piana
Gestão Cultural: Agência Cultural AqueleTrio
Gestão de Redes Sociais: Ana Paula Padilha
Assessoria de Imprensa: Anima Comunicação Viva
Apoio: Instituto Juarez Machado, Arquivo Histórico de Joinville e Museu Nacional de Imigração e Colonização
Realização por meio do Programa de Incentivo à Cultura (PIC), do Governo do Estado de Santa Catarina, aprovado pela Fundação Catarinense de Cultura
Incentivo: Grupo Tigre, por meio do Instituto Carlos Roberto Hansen

Foto: Gabriel Bazt

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